O conhecimento científico é aceite como sendo o principal motor de desenvolvimento, permitindo-nos viver vidas mais longas, mais saudáveis e mais confortáveis. No entanto, observa-se um paradoxo interessante: o aumento dos esforços de comunicação e divulgação científica parece estar correlacionado com o aumento de grupos abertamente anti-ciência. Este facto tem consequências sociais graves, como os movimentos anti-vacinação ou outros movimentos "pós-verdade". Estes receios são particularmente relevantes agora, uma vez que a confiança generalizada na ciência é fundamental para que consigamos combater a pandemia do COVID-19.
Tem-se argumentado que o excesso de confiança (definido, em termos gerais, como a tendência para sobrestimar as próprias capacidades, intelecto ou talento) pode desempenhar um papel importante nestes movimentos anti-ciência. Se a confiança no conhecimento de uma pessoa crescer mais rapidamente do que o próprio conhecimento (efeito Dunning-Kruger), isso pode criar uma falsa sensação de compreensão.
Desenvolvemos uma nova métrica de confiança, que não é de auto-reporte, e perguntamos de que forma o conhecimento e a confiança desempenham um papel na determinação das atitudes do público em relação à ciência.
Utilizámos questionários de grande escala (Science and Technology Eurobarometer, 1998 a 2005, em 34 países europeus; American General Social Survey, 2006-2018; Pew Research Center, 2019) e centrámo-nos num conjunto de variáveis que medem o conhecimento e as atitudes em relação à ciência.
Verificámos que a nossa medida de confiança varia de forma não linear com o conhecimento — com a confiança mais elevada a surgir nos níveis de conhecimento intermédios. Isto corresponde à maioria da população, em todos os países, anos, níveis de educação e idade. Verificámos ainda que os indivíduos mais sobre-confiantes tendem também a apresentar as atitudes mais negativas em relação à ciência, com implicações importantes para a comunicação e a política científicas.
Estamos ainda a trabalhar num modelo teórico que pode ser testado experimentalmente no que respeita ao impacto da comunicação de ciência e de intervenções de divulgação.
Este projeto está a ser desenvolvido em colaboração com Frederico Francisco e é financiado por uma ERC Starting Grant.
Publications
- Francisco F, Lackner S, Gonçalves-Sá J, “A little knowledge is a dangerous thing: excess confidence explains negative attitudes towards science”, (2019). arxiv
Funding
Welcome DFRH WIIA 60 2011, funded by FCT and the Marie Curie Actions
European Research Council:
- Fake News and Real People (FARE) – Using big data to understand human behaviour, Grant Agreement 853566
ANDAMENTO
Data de início: 1 de Janeiro de 2016
Data de término: 31 de Dezembro de 2022