Fundação "la Caixa" financia dois projetos do LIP para promover uma sociedade mais justa e democrática

Press Release: EQUI-PHARM e INVIS_AI foram selecionados na edição de 2026 da Social Research Call da Fundação "la Caixa". Os projetos procuram responder a dois desafios contemporâneos: as desigualdades no acesso à saúde e o impacto da inteligência artificial no acesso à informação política.

Dois projetos do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) foram selecionados na edição de 2026 da iniciativa Social Research Call do Observatório Social da Fundação "la Caixa", um programa competitivo que apoia investigação orientada para a compreensão e resolução de alguns dos principais desafios sociais da atualidade.

Os projetos financiados — EQUI-PHARM e INVIS_AI — têm em comum a utilização de metodologias inovadoras de ciência de dados para produzir conhecimento útil para a sociedade e apoiar políticas públicas baseadas em evidência. Um dos projetos, o EQUI-PHARM, será financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), no âmbito da parceria estabelecida entre as duas instituições.

Melhorar o acesso aos medicamentos através dos dados

Apesar da cobertura universal assegurada pelo Serviço Nacional de Saúde, persistem desigualdades no acesso efetivo aos medicamentos, particularmente entre populações economicamente mais vulneráveis. Em Portugal, cerca de 60% da despesa direta das famílias em saúde corresponde à aquisição de medicamentos, tornando essencial compreender de que forma fatores económicos e geográficos condicionam o acesso às terapêuticas prescritas.

Liderado por Lília Perfeito, o projeto EEQUI-PHARM – Quantifying Socio-Economic Barriers to Pharmaceutical Access in Portugal Using Digital Records irá utilizar dados nacionais de prescrições eletrónicas e de dispensa de medicamentos para desenvolver novos indicadores que permitam medir barreiras económicas e territoriais ao acesso à medicação.

Ao analisar padrões de não aquisição de medicamentos, atrasos associados aos ciclos de rendimento e diferenças geográficas na acessibilidade às farmácias, o projeto irá criar o EQUI-PHARM Monitor, uma ferramenta de apoio à decisão destinada às administrações de saúde e aos decisores públicos, permitindo identificar situações de vulnerabilidade e orientar intervenções mais eficazes.

"O primeiro passo para combater as desigualdades no acesso aos cuidados de saúde é o diagnóstico de quem são, e onde estão as populações em risco. O projeto EQUI-PHARM propõe-se a analisar o acesso aos medicamentos na população Portuguesa, fazendo uso de dados administrativos e demográficos, combinados com modelos informados pela prática clínica. A ferramenta que vamos criar pode depois ser usada por entidades locais ou nacionais para desenhar e dirigir programas de mitigação de desigualdades.", afirma Lília Perfeito, investigadora responsável pelo projeto".

O projeto conta com a colaboração de profissionais de saúde, assegurando que os resultados produzidos respondem às necessidades dos cidadãos e do sistema de saúde.

"Estas sinergias permitem que a implementação dos resultados de investigação seja mais facilmente enquadrada nas necessidades do sistema e se traduza em respostas úteis e mais facilmente introduzidas na prestação de cuidados", sublinha Margarida Gil Conde, médica e parceira da sociedade civil do projeto.

Tornar mais transparentes os sistemas de inteligência artificial

Diariamente, milhões de pessoas recorrem a motores de pesquisa e modelos de linguagem baseados em inteligência artificial para aceder a informação, incluindo informação política. O projeto INVIS_AI, liderado por Joana Gonçalves-Sá, irá investigar de que forma estes sistemas organizam e priorizam essa informação, se introduzem enviesamentos e como estes afetam a visibilidade de partidos e temas políticos em Portugal e Espanha.

Para isso, a equipa combinará auditorias automatizadas em larga escala com estudos experimentais, permitindo analisar o percurso desde a informação apresentada pelas plataformas até ao seu potencial impacto nas perceções dos cidadãos.

Entre os principais resultados contam-se uma infraestrutura aberta para auditoria de plataformas digitais e um novo indicador de pluralismo — o Pluralism Gap — que permitirá comparar a visibilidade política promovida por motores de pesquisa e modelos de linguagem com indicadores independentes da realidade política.

Desenvolvido em parceria com o investigador Pedro Magalhães do Instituto de Ciências Sociais (ICS) e com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), o projeto adotará uma abordagem comparativa entre Portugal e Espanha para compreender como estes sistemas operam em diferentes línguas, ecossistemas mediáticos e contextos políticos. As metodologias e ferramentas desenvolvidas poderão ser adaptadas a outros países europeus, contribuindo para políticas públicas e práticas regulatórias baseadas em evidência.

"Os sistemas algorítmicos desempenham um papel cada vez mais importante na forma como acedemos à informação. Compreender de forma rigorosa como organizam essa informação e como esse processo varia entre diferentes países, línguas e contextos é essencial para apoiar políticas públicas e regulação", afirma Joana Gonçalves-Sá, investigadora responsável pelo projeto.

"A transformação do ecossistema mediático e a crescente complexidade das formas de comunicação e de acesso à informação política colocam novos desafios à análise do pluralismo. Aprofundar e adaptar os modelos de análise a esta realidade é essencial para o trabalho desenvolvido pela ERC no âmbito do pluralismo político, independentemente dos suportes tecnológicos em que a comunicação se desenvolve. O estabelecimento de parcerias com a academia e centros de investigação é um dos eixos estratégicos da ERC para 2023-2028 e é com entusiasmo que nos associamos a esta investigação.", afirma Carla Martins, em representação da ERC.

Ciência ao serviço da sociedade

A seleção destes dois projetos confirma a aposta do LIP em investigação interdisciplinar com impacto social, reunindo especialistas em sistemas complexos, ciências sociais, saúde pública e inteligência artificial, em colaboração com entidades públicas e organizações da sociedade civil.


9 de Setembro de 2026


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