Íris Damião foi uma das cerca de 60 participantes selecionadas para frequentar a edição deste ano da Complex Systems Summer School do Santa Fe Institute, no Novo México.

Durante três semanas, dedicou-se ao estudo dos sistemas complexos, aprendendo diretamente com alguns dos principais cientistas da área e explorando uma variedade extraordinariamente ampla de temas — desde a biologia e a evolução à cultura, à linguagem, aos LLMs e muito mais.

Nestas diferentes àreas, descobriu como um conjunto comum de abordagens pode ser utilizado para colocar questões sobre fenómenos complexos, incluindo a modelação baseada em agentes, os sistemas dinâmicos e a ciência de redes — métodos que constituem uma linguagem comum na investigação em sistemas complexos.

Rodeada por estudantes, investigadores e jornalistas de todo o mundo que partilham a paixão pela ciência, a Íris saiu da sua zona de conforto e foi além da sua área habitual de investigação para trabalhar em dois novos projetos. O primeiro centrou-se na compreensão da gentrificação enquanto sistema dinâmico: de que forma estes processos se desenvolvem, que fatores os influenciam e onde poderão ser direcionadas intervenções e políticas para evitar que bairros inteiros ou cidades se tornem alvo de processos de gentrificação.
O segundo projeto explorou a diversidade nos filmes ao longo do tempo, procurando responder a uma questão particularmente atual: estarão os filmes a tornar-se mais semelhantes desde o aparecimento da Netflix? Juntamente com os seus colegas, Íris investigou se as redes temporais de personagens, extraídas dos guiões cinematográficos, conseguem captar informação relevante sobre os filmes e se estas redes revelam um aumento das semelhanças nas estruturas dos filmes ao longo do tempo.

A Escola de Verão foi uma “experiência que mudou a sua vida”, afirma Íris. Foi uma oportunidade não só para aprender novas ferramentas e abordagens, explorar questões menos familiares, iniciar novas colaborações e fazer grandes amigos, mas, sobretudo, para perceber que não existem perguntas impossíveis na ciência — e que a curiosidade, a imaginação e a vontade de ultrapassar as fronteiras tradicionais entre áreas desempenham um papel essencial na criação de conhecimento.


1 de Julho de 2026


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